Evidências

O questionamento radical, de tudo, é, a nosso ver, altamente recomendável, desde que sadiamente levado a cabo. Entretanto, o mais céptico dos indivíduos não pode, em absoluto, negar tudo. Basta parar, escutar… e a evidência da Consciência ali está. Silenciosamente, ela clama, imensa e invencivelmente – grandiosamente – a sua presença, nesse mesmo momento do questionamento reflexivo e interno.

E, com a evidência da Consciência, está a da realidade incontornável de que algo necessariamente É. Esse Algo que É, porque a sua realidade é uma evidência presente e inegável de Consciência, corresponde, afinal, à 1ª Proposição de A Doutrina Secreta, de Helena Blavatsky, que aqui repetimos: “Um PRINCÍPIO Omnipresente, Sem Limites e Imutável (…). Há uma Realidade Absoluta, anterior a tudo o que é manifestado ou condicionado (…). É, naturalmente, desprovida de todo e qualquer atributo, e permanece essencialmente sem nenhuma relação com o Ser manifestado e finito. É a ‘Asseidade’, mais propriamente que o Ser, Sat em sânscrito, e está fora do alcance de todo o pensamento ou especulação.

Esta Asseidade é simbolizada na Doutrina Secreta sob dois aspectos. De um lado, o Espaço Abstracto absoluto, representando a subjectividade pura, aquilo que nenhuma mente humana pode excluir de qualquer conceito, nem conceber como existente em si mesmo. De outro lado, o Movimento Abstracto absoluto, que representa a Consciência Incondicionada…”.

Se tal nos é permitido, vivamente encorajamos à realização desta experiência do Ser-Consciência: pura e simplesmente, constate-se, observe-se que assim é, dentro do que chamamos “Eu”. Se a penetração nessa Realidade-Consciência se libertar dos condicionamentos egotistas, a afirmação Advaitista da identidade de Âtman e Brahman, do Ser e da Consciência individualmente entendidos, com o Ser e a Consciência Universais, estará além de toda a dúvida, como um toque de plenitude. E, aqui, estamos a deparar-nos com, pelo menos, uma parte da 3ª das Proposições de A Doutrina Secreta: “A identidade fundamental de todas as Almas com a Alma Suprema Universal, sendo esta um aspecto da Raiz Desconhecida…”.

Observemos ainda, desse modo, essa Presença solene e imensa que em nós mesmos somos capazes de vivenciar. Se bem repararmos, ela tem um movimento contínuo, um incessante alento, que vai e vem, numa respiração, evidentemente cíclica 1 … Tal nos evoca ao menos uma parte, a mais essencial e arquetípica, da restante (a 2ª) Proposição fundamental de A Doutrina Secreta: “… Este segundo asserto da Doutrina Secreta é a universalidade absoluta daquela lei de periodicidade, de fluxo e refluxo, de crescimento e decadência, que a ciência física tem observado e registrado em todos os departamentos da Natureza. Alternativas tais como Dia e Noite, Vida e Morte, Sono e Vigília são factos tão comuns, tão perfeitamente universais e sem excepção, que será fácil compreender por que divisamos nelas uma das leis absolutamente fundamentais do Universo”.

Verificamos, deste modo, que, pelo menos uma proporção substancial da síntese de todo o Ensinamento Ocultista, ou da Sabedoria Eterna, pode ser verificada por todos e cada um de nós, desde que sejamos capazes de nos abstrair do ruído exterior e seus impactos e condicionamentos mais aprisionadores. Depois, constatada a evidência do travejamento básico do prodigioso edifício da Sabedoria Oculta, há (porém) um longo trabalho, de dezenas, centenas, milhares de anos, para o compreender nos seus infindáveis pormenores, desdobramentos, relações, implicações e pontos de vista…tendo sempre em conta a interligação de tudo.

(Partes deste artigo incluem texto publicado no meu livro Alexandria e o Conhecimento Sagrado, pp. 401-2)

1 Vários autores assinalam que a noção de respiração está na origem etimológica de Âtman, o Eu-Ser Espiritual.

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