Pequeno Glossário

No âmbito de um curso que ministramos no Centro Lusitano de Unificação Cultural ficou patente a utilidade de facultarmos aos participantes algumas notas elucidativas sobre termos que iam sendo usados.

Elaborámos assim um pequeno glossário, quem sabe uma base de partida para algum trabalho a desenvolver posteriormente. Uma parte significativa do texto, foi retirados de livros que escrevemos ou das obras de Helena P. Blavatsky. Tudo necessitaria ainda de uma revisão cuidada mas, em todo o caso, foi o possível dada a premência do desenrolar das aulas, e é isso que também aqui partilhamos.

A utilidade de um glossário é propiciar uma base de comum de entendimento. Qualquer estudo, qualquer ciência, nomeadamente a ciência espiritual, implica o uso de termos específicos, e um consenso sobre o significado que se dá ás palavras utilizadas. São estas os instrumentos de que geralmente dispomos. São em muitos aspetos insuficientes e inadequadas. Não lhes podemos dar mais importância que aquela, limitada, que têm. Mesmo assim, procuremos evitar que sejam geradoras de equívocos.

Ain Soph Aur – Na Árvore da Vida, Ainda além de Kether, e do triângulo das três (Sephiroth) Supremas – cujos outros vértices são Chokmah e Binah – temos o campo do Imanifestado. Kether é a primeira de uma série de causas, é o primeiro exsurgimento no domínio de um Cosmos. O Imanifestado está além de todas as séries. É um Para-Cosmos, aparente Caos para a nossa compreensão relativa. É inefável ao entendimento humano, que d’Ele (ou, talvez melhor, d’Isso) só pode saber que É.

Na Cabala, toma-se como estágio de partida – o ponto no círculo imaculadamente branco – Kether, o centro sintético, o gérmen da expansão, o primeiro impulso do Cosmos (de um Cosmos…). Sobre ele, contudo, pendem os chamados “Três Véus da Existência Negativa”, correspondentes a três Planos de Imanifestação (havendo quatro Planos de Manifestação). São eles Ain, Nada ou Negatividade; Ain Soph, a Ilimitação; e Ain Soph Aur, a Luz Ilimitada. Este último, é já o nível de onde desperta a manifestação, a exteriorização, isto é, onde se concentra e de onde desperta e exsurge Kether. Parabhaman, Mûlaprakriti e Daivipkrati podem ser tomados como os seus equivalentes respectivos, em formulações mais orientais.

Alma – Em todos os sete Planos de manifestação, tanto cósmica, como humana, existe a respectiva Alma ou nível de manifestação da Alma. Com efeito, em todos eles está presente a relação entre a vida que procede do Espírito, e a Substância, organizada em forma, na qual se expressa. A Alma é, justamente, a resultante e a propiciadora da relação entre os dois grandes pólos da existência universal: Espírito e Matéria.
Do ponto de vista da Matéria, a Alma é o princípio vital, atractivo e coesivo que mantém unidas as formas, por estar imanente na respectiva Substância. E é também a própria força de evolução na Substância.
Do ponto de vista do Espírito, a Alma propicia as experiências e a consciência de relação que ele, inicialmente consciência absoluta, indiferenciada; que ele, testemunha silenciosa durante todo o longo processo de manifestação, acabará por agregar a si mesmo no culminar da Magna Obra da Evolução.
Como existem Sete Princípios no Homem e Sete Planos neste Cosmos, em todos eles havendo uma relação entre o influxo de vida irradiado do pólo Espiritual e a Substância característica de cada Plano (e de que são constituídos os veículos do Homem Espiritual), decorre naturalmente que há sete Almas – ou, por outras palavras, sete níveis ou diferenciações de A Alma.
Em termos macrocósmicos, existem, deste modo, 7 diferenciações da Alma Universal.
Também no Ser Humano existe idêntica pluralidade de Almas. No entanto, pela sua importância – do ponto de vista do que é decisivo no seu actual estatuto evolutivo –, três delas devem ser destacadas, como o fizeram Helena Blavatsky e outros autores iniciais da Sociedade Teosófica, de acordo com os ensinamentos de grandes Mestres de Sabedoria (Mahatmas) que os instruíam:
* A Alma Animal, constituída pela natureza de Kâma (desejo, paixão animal, emoção separatista, afectos pessoais) e por uma porção ou raio de Manas (Inteligência), assim volvido Mente Inferior (Manas Inferior) – que, no homem comum, ao enredar-se nas reacções aos fenómenos e estímulos externos, e ao deixar-se dominar pelo Desejo (Kâma), se volve pouco mais do que simples astúcia. A Alma Animal é, pois, o agregado Kâma-Manas, que é condicionalmente (i)mortal. A sua quintessência sublimada pode ser conquistada para a perenidade. No presente momento da sua escalada evolutiva, a Alma Animal representa o mais poderoso factor de negatividade, de rebaixamento vibratório, de ilusão, violência e competitividade a todo o custo.
• A Alma Humana, hierarquicamente acima da anterior, na escala vibratória da Consciência-Vida-Substância. É basicamente o Princípio Manásico, de Inteligência Criadora – que caracteriza o Homem como o Pensador –, iluminado e orientado pelo Princípio que lhe está acima: Buddhi, a Intuição, o Discernimento, a Sabedoria e o Amor Transpessoais. A Alma Humana representa a nossa ligação para os mundos de verdadeira espiritualidade e bem-aventurança. A Humanidade, não mais do que adolescente na sua maturação, ainda caminha para este tipo de consciência da Inteligência Criadora e confiável, porque iluminada pela Intuição. A Alma Humana é a conquista específica do Reino Humano, sendo pois identificada com o Filho do Homem, na simbologia Cristã.
• A Alma Espiritual, que é Buddhi, como veículo de Âtman (o Eu Espiritual, a Vontade Espiritual), e recolhendo o “aroma”, a quintessência de Manas. Esta díade é a base operativa dos Mestres de Compaixão e do Conhecimento Sagrado

Akasha – É a irradiação de Mûlaprakriti. Depois de um Pralaya é o primeiro a despertar para a vida. É a essência plástica, o Pai-Mãe.
É o Espaço Universal em que está imanente a Ideação eterna do Universo nos seus aspectos sempre cambiantes sobre os planos da matéria e da objectividade e do qual procede o Logos, ou seja, o ‘Verbo’ ou ‘linguagem’ no seu sentido místico. É a matriz do Universo, o Mysterium Magnum do qual tudo o que existe nasceu por separação ou diferenciação. É a Matriz do Universo, a partir da qual tudo se diferenciou. O pano de fundo (o substrato) e o potencial onde se desenrola e tece toda a animação do Cosmos manifestado. É a causa da existência. É a substância viva primordial.

Todas as coisas, por assim dizer, são Akasha condensado, que se tornou visível através da mudança do seu estado supra-etéreo (o Aether Primordial) numa forma concentrada e tangível, e todas as coisas da Natureza podem ser, outra vez, resolvidas em Akasha (1105) e tornam-se invisíveis, mudando para repulsão o poder de atracção, que mantinha os seus átomos unidos.

É, cosmicamente, uma matéria radiante, fria e plástica, e criadora. Na sua condição criadora, é chamada a Sub-Raiz; e em conjunção com o calor radiante ‘faz retornar à vida mundos mortos’. No seu aspecto superior, é a Alma do Mundo; no seu aspecto inferior, é o Destruidor.

O Aether Superior ou Akasha é a Virgem Branca Celestial, Mãe de todas as formas e de todos os seres existentes, e de cujo seio, ‘incubado pelo espírito Divino’, surgiram a Matéria e a Vida, a Força e a Acção. Aether é ao mesmo tempo o Aditi e o Akasha dos Hindus. É o meio primordial dúctil.

O Akasha – por vezes imprecisamente identificado à ‘Anima Mundi’ – é a potência do Espaço (ou o Espaço em potência), que o Tempo (signo do Espírito) irá percorrer e activar. Na verdade, a ‘Anima Mundi’ é já o produto activado pela soma de ‘unidades monádicas’ que nos precederam e que percorreram já um longo troço do Caminho Evolutivo.

Fohat, correndo ao longo dos 7 princípios do Akasha, actua sobre a substância manifestada, ou o Elemento único, e diferenciando-o em vários centros de energia, põe em evolução a lei de Evolução Cósmica que, em obdediência à Ideação da Mente Universal, produz todos os diversos estados de Ser, no Sistema Solar Manifestado.

Em resumo: O Akasha é o pano de fundo, o substrato universal, como imensa tela, inicialmente escuridão absoluta, onde se move toda a animação universal. Tudo o que acontece no Universo, de alguma forma, é anti-Akasha. Repare-se num ecrã: são ali projectadas as imagens. Aquelas imagens são o anti-ecrã. O Akasha é o espaço cósmico, no qual está imanente, no qual está impressa, a ideação eterna de todo o Cosmos, é o próprio espaço universal, é a incessante vibração sonora, é a incessante vibração que, por condensação, por densificação, dá origem às formas do nosso mundo. É como que um pano de fundo vibratório, cuja emissão sonora permite que todas as coisas sejam; ali, está o protótipo, a possibilidade, a latência, de tudo quanto pode existir; quando aquilo se condensa, se densifica, dá origem às formas do nosso mundo. É o grande arquivo do devir, onde estão todas as potencialidades de todas as coisas que podem vir a densificar-se, a concretizar-se, a materializar-se, a vir à Manifestação. É o ponto de toda a potencialidade manifestadora. Ainda não é bem a Manifestação, é a linha divisória entre o Imanifestado e a Manifestação, porque é a potencialidade de toda a Manifestação.
Em termos macrocósmicos, existem sete diferenciações do Akasha inteligentemente activado pela Alma Universal, desde o Maha-Akasha, até ao nível inferior, chamado “Luz Astral”.
A Luz Astral é a região invisível que rodeia o nosso globo, como rodeia a todos os demais, e corresponde, como segundo ‘princípio’ do Cosmos (sendo o terceiro a Vida, do qual é veículo), ao Linga-Sharîra ou Duplo Astral do homem. É o Espaço de onde procedem e onde se subsumem as coisas físicas. É o mundo dos modelos das coisas do nosso mundo mas, também, o duplo das acções e pensamentos neste processadas. Através deste composto áurico que infunde e preenche o seu complexo biofisiológico, o homem comunica-se com a sua correspondente universal – a Luz Astral – podendo ler nela as projecções de acontecimentos aí impressas.

A Luz Astral é o invólucro subtil do nosso globo (e sistémico-planetário, em geral) em que se impregnam todas as emanações morais e físicas provenientes do Mundo Físico, e onde o mágico, o xamã ou o vidente inferiores lêem exclusivamente os seus vaticínios e premonições.

É o arquivo da memória do grande mundo, o Macrocosmo, cujo sentido pode incorporar-se e reencarnar-se em formas objectivas; é o arquivo da memória do pequeno mundo, o Microcosmo, ou seja, o homem, que através deste arquivo pode recordar-se de acontecimentos passados.

Constitui o meio para a transmissão do pensamento, e sem esse meio nenhum pensamento poderia ser transmitido à distância.

Amesha Spentas – No Mazdeísmo, os Amesha Spenta eram os “Sete Santos Imortais”. São as sete Grandes Inteligências Espirituais (integrando Hostes de seres que procedem da mesma fonte ontológico-qualitativa). Correspondem aos sete Arcanjos Planetários do Cristianismo (tal como aos “Sete Espíritos diante do Trono” ou “Sete Espíritos de Deus”, do Apocalipse, 1: 4 e 5: 6), aos Sete Prajapatis Hindus ou aos Sete Logoï Planetários e respectivas Hierarquias Criadoras, do Ocultismo. Os nomes dos Amesha Spenta e suas virtudes e correlações eram os seguintes: Vohumanah, Pensamento Bom – conectado com Animais (fora ele que teria conduzido Zoroastro, quando este atingiu a significativa idade de 30 anos, na sua iluminação espiritual e no encontro com Ahura-Mazda); Asha Vahishta, Justiça e Verdade – Fogo e Energia; Kshathra, Domínio, Governo Excelso – Metais e Minerais; Spenta Armaiti, Devoção e Piedade – a Terra (é o génio feminino da Terra); Haurvatat, Inteireza – Águas; Ameretat, Imortalidade – Plantas; Spenta Mainyu, Energia Criativa – os Seres Humanos. Em outras versões, no lugar de Spenta Mainyu surge o próprio Logos Supremo, Ahura Mazda, que preside a todos (ou melhor, Spenta é identificado com Ahura Mazda, conforme a sua dignidade de Homem Primordial, Arquetípico. Atente-se na provável relação etimológica de Mainyu com Manu. Ora, Manu é tanto o regente de um universo que vem à existência – nomeadamente, os Manus de Globo – como o Homem Arquetípico de dado ciclo de manifestação).

Antahkarana – A ponte, construída e projectada na e da substância mental, entre o Eu Inferior (que é escravo) e o Eu Superior (que é livre)

Atman – O Espírito (como Ser Incondicionado e Vontade Pura); o Divino; a Consciência primordial, ilimitada, potencialidade absoluta.
Nos ensinamentos teosóficos de Helena Petrovna Blavatsky (HPB) e dos seus Mestres, Âtman surge enumerado como o mais elevado Princípio de Consciência e de Ser. Na verdade, e em rigor, por essa excelência e transcendência ontológica, é mais do que um Princípio individual, dada a sua universalidade e unidade

Helena Blavatsky afirma expressamente que Âtman:
* “Uno com o Absoluto, como sua radiação”;

* “Não é o meu espírito nem o seu, mas, como o Sol, resplandece sobre todos. É o princípio divino universalmente difundido, inseparável de seu meta-espírito uno e absoluto, da mesma forma que o raio solar é inseparável da luz do sol”;

* “Não é propriedade individual do homem e sim a essência divina que precisa de corpo e forma. Que é imponderável, invisível e indivisível (…) Somente ampara ao mortal, pois o que penetra nele e preenche o seu corpo inteiro são apenas os seus raios de luz projectados por meio de Buddhi, seu veículo e emanação directa”;

* É “o raio inseparável do Eu Uno e Universal. É o Deus que está por cima, melhor que dentro de nós”;

* “É de facto Brahman, o Absoluto”;

* “É a Realidade Única”;

* “Embora considerado exotericamente o sétimo princípio, não é princípio individual: pertence à Alma Universal. O sétimo Princípio é o ovo áurico, a esfera magnética que envolve o ser humano e o animal”;

* É “o superespírito”;
“ É o “Si [Self] divino-espiritual ou universal”;

Embora se traduza o termo Âtman como Self, Si, Eu, Espírito, Eu Espiritual, etc., também como Alma e, infelizmente, até como Pessoa, em realidade Âtman não é um Eu Separado; é a Consciência não dual, é o Ser Universal, é o Todo-Brahman, a Unidade, o Espaço Cósmico. Apenas os envoltórios, ou upadhis 2 o circunscrevem e delimitam – na aparência ilusória.

Binah – é uma das Três Supremas da Árvore da Vida. Caracteriza-se como Entendimento, Inteligência, Leis regentes do Universo. É chamada o Grande Mar e a Mãe Suprema ou Grande Mãe, e equivale a Sofia.
Binah (Inteligência Objectiva, Entendimento, Compreensão), diferenciando-se, por sua vez, de Chokmah (como Eva de Adão, segundo o Genesis), é a Mãe Superior, que apresenta dois aspectos: Immá, a Mãe Estéril e Obscura (a Matéria por fecundar), e Aimá, a Mãe Fértil Brilhante (a Matéria permeada pela vida fecundadora que emana de Chokmah). Estão aqui subjacentes as distinções, das escolas orientais, entre Mûlaprakriti e Prakriti, Avyakta e Viakta, Akasha e Alaya, correspondendo respectivamente a Immá e Aimá.

Binah é a raiz primordial da Matéria Cósmica (como Pradhana para a Filosofia Sânquia), Matéria que atinge o seu máximo desenvolvimento em Malkuth. Binah é a Potência Feminina, passiva, receptiva, a Mãe Superior. É a Dadora Primeva da Forma que permite a existência objectiva e circunscrita, que por ser limitadora, simultaneamente promove o desenvolvimento da Auto-Consciência (só no espelho da forma material o Ser subjectivo toma consciência de si mesmo), como vem a ser a Dadora da Morte (que só na Forma pode ter lugar). É neste equilíbrio Vida/ Morte, Masculino/ Feminino, Positivo/ Receptivo, o Pilar da Misericórdia / Pilar da Severidade, que se processa toda a manifestação Universal. Em Binah (correspondente a Sarasvatî, Sophia, Atena, Minerva) está a fonte tanto da Sabedoria Criadora quanto do Conhecimento Objectivo e Verdadeiro; em Binah estão as Leis Regentes do Universo, e está o fundamento da Ciência Universal.

O Pilar da Esquerda, que procede de Binah é, pois Feminino, de Sophia (a Sabedoria Criadora e da Criação, a Sageza, a Prudência), chamada Ela à esquerda pelos Gnósticos; é a Coluna da Objectividade e da Forma, com a sua limitação disciplinadora, por isso justificando o nome de Coluna do Rigor, da Ordenação e da Justiça. Nela se sustentam ainda Geburah (Força, Severidade) e Hod (Glória, Esplendor).

Brahma – Um dos três deuses que juntamente com Vishnu e Shiva compõem a trimurti, a trindade pós-védica. É a força criadora ativa no Universo.

Brahman – Designa o princípio divino, não personalizado e neutro do hinduísmo e da teosofia. Não deve ser confundido com Brahmā.
Na teosofia, Brâmhan é o “Absoluto”, o “Espírito Divino e Infinito” que emana de Parabrahman no início de um novo ciclo de manifestação (chamado Mahamanvantara). Portanto, é a origem e raiz de toda a consciência que evolui neste mundo. É a Unidade Manifestada num sistema, num universo, e o seu mais elevado hierarca.

Buddhi – É uma palavra sânscrita, usada em diversas escolas de filosofia-ciência espiritual hindu, e cujo significado é geralmente traduzido por “sabedoria, inteligência, entendimento, discernimento”.
Na hierarquia septenária dos Princípios humanos, Buddhi é o sexto, contando de baixo, ou seja, o segundo mais elevado (a seguir a Âtman). Serve-lhe de veículo, de núcleo individualizador e de consciência de relação. Corresponde ao Ruach da Cabala e, de algum modo, ao Nous dos Neoplatónicos. É a Alma Espiritual; a Inteligência Espiritual; o Conhecimento Sintético e resultante da quintessência de aprendizagem em vidas passadas; Mercúrio, na Alquimia; a Intuição.

Como veículo receptivo de Âtman, assume Buddhi uma polaridade ou natureza feminina. É a Alma (Buddhi) do Espírito (Âtman): a Alma Espiritual. É a Prakriti (matéria, substância) de Purusha (Espírito): “Buddhi é o princípio determinativo proveniente da Prakriti em consequência da involução do Purusha”. É a esposa do Divino: “… nas antigas religiões e filosofias, o Deus interno sempre foi chamado o Divino ou Deus – masculino; a Consorte, a Buddhi do Âtman, sempre foi considerada como feminina”. Numa carta dirigida ao Sr. Sinnett, o Mestre Morya relaciona o “sexto Princípio” (Buddhi) com a “matriz do Grande Princípio Passivo” .

Buddhi (tal como Âtman) está geralmente adormecido e fora ou além do ser humano. À medida que vai sendo despertado, pode outorgar a Consciência Espiritual, o verdadeiro Entendimento, a Iluminação, a Sabedoria que está livre da ilusão fenoménica e sensorial. É a medida desse despertar que marca o grau da evolução espiritual. Voltamos a citar uma carta do Mestre Koot-Hoomi: “… nada nos compele para alguém do mundo, excepto a sua evolução espiritual. Um homem pode ser um Bacon ou um Aristóteles em acúmulo de conhecimento e, ainda assim, não nos atrair para a sua corrente, se a sua força estiver tão-somente confinada a Manas. O supremo poder reside em Buddhi (…). Manas, simples e isolado, é de um grau inferior e de natureza terrena; deste modo, os maiores vultos da Terra podem ser insignificantes nesta perspectiva em que a verdadeira grandeza é aferida exclusivamente pelo padrão do desenvolvimento espiritual”. Quando, porém, Manas se liberta do jugo de Kâma, o desejo egoísta, e se deixa conduzir pela lúcida inspiração de Buddhi, ele pode então aceder à verdadeira Sabedoria.

Cadeias Planetárias, Globos, Rondas e Raças-Raíz – Um Esquema Planetário tem sete grandes encarnações, que são as Cadeias Planetárias;

* Cada Cadeia Planetária tem sete Globos;

* Há sete Rondas em cada Cadeia Planetária, ou seja, sete passagens ou voltas pelo circuito dos sete Globos, desde o Globo ‘A’ ao Globo ‘D’.

* Em Cada Ronda, há, pois, sete Períodos Globais, sendo cada um deles a estadia da Onda de Vida num dos Globos;

* Em Cada um dos Períodos Globais ou Mundias há sete Raças-Raiz. Uma Raça-Raiz é um conjunto diferenciado de características e tónicas espirituais, mentais, psíquicas, vitais e físicas que correspondem a uma fase de crescimento evolutivo da Humanidade. Cada uma delas é necessária, como necessárias são todas as fases de crescimento (não cabe, pois, aqui, nenhuma noção de superioridade rácica; nem o conceito ocultista de Raça coincide com o geralmente adoptado).

Os globos de cada Cadeia Planetária estão dispostos assim: existe um Globo, o ‘D’, no Plano de substância mais densa (o 1º, se contando de baixo, ou o 7º, se contando de cima); dois, o ‘C’ e o ‘E’ no Plano seguinte em maior subtilidade (o 2º, se contando de baixo, o 6º, se contando de cima); dois no seguinte, o ‘B’ e o ‘F’; e dois, o ‘A’ e o ‘G’, num 4º Plano. Veremos, daqui a pouco, a razão de ser da disposição e nomeação dos Globos de ‘A’ a ‘G’. Note-se que quando dizemos, por exemplo, que o Globo D está no plano de substância mais densa – no caso, a matéria do Plano Físico – isso quer dizer que a sua camada mais externa é constituída dessa substância. No mesmo Globo ‘D’, contudo, existem igualmente os Planos mais subtis ou internos. Se, noutro exemplo, dissermos que um Globo existe na substância astral, isso, também neste caso (e, em todos os outros, analogamente), apenas siginifica que desse grau vibratório de matéria é constituído o seu nível mais denso ou materializado, existindo no entanto, adicionalmente, os Planos mais subtis que o interpenetram.

Todos estes sete Globos são formados (48) e dirigidos (49) sob a orientação de Seres de grande estatuto evolutivo, e existem durante um período de tempo imenso – alguns milhares de milhões de anos. Esse tempo de existência é o tempo de duração de uma Cadeia Planetária. Quando ela chega ao seu termo, os respectivos globos entram em decomposição, e sobrevém um período de repouso, um Pralaya intercatenário. Em seguida, formar-se-á outra Cadeia de Globos do mesmo Esquema Planetário (50), a fim de permitir a continuação do desenvolvimento do planeta e de todos os Seres que nele têm o seu campo evolutivo e/ou de Serviço (ver Figura II). Sucedem-se, no tempo, sete Cadeias Planetárias em cada Esquema Planetário (51). No caso do Esquema Planetário terrestre, estamos actualmente na 4ª Cadeia e, dentro desta, na sua 4ª Ronda. Para trás ficaram já três Cadeias de Globos – a Lua é um remanescente da Cadeia anterior, a 3ª – e outras três virão ainda. Evidentemente, se estamos na 4ª Ronda da presente Cadeia Planetária, tal significa que também nela já decorreram três Rondas (isto é, três voltas completas ao circuito dos 7 Globos, de ‘A’ até ‘G’) e que, após o final da Ronda actual, quando a onda de vida abandonar o Globo ‘G’, haverá ainda pela frente três Rondas.
Existem no nosso Esquema Planetário (o da Terra) 7 + 3 Reinos da Natureza. Destes, o humano é o 7º ou, se considerarmos somente o Arco Ascendente, o 4º, existindo três Reinos supra-humanos ou Reinos Dhyan-Choânicos

No arco descendente, ou seja, nas longas fases de peregrinação pelos mundos em que o propósito é aprender a ser forma, cada vez mais material e heterogénea, temos:

* O 1º Reino Elemental, no Plano Mental ou Manásico (53);

* O 2º Reino Elemental, nos níveis Kâma-Manásicos (isto é, da mescla ou intercessão entre o Plano Mental – Manásico – e o Mundo do Desejo – Kâmico (54));

* O 3º Reino Elemental, de intercessão entre os estados inferiores do Plano Kâmico e o Mundo Astral (correspondente ao Princípio do Linga-Sharîra (55) no ser humano).

Os Elementais são o substrato anímico da Matéria, a sua essência plástica, viva e inteligente.

Por sua vez, no Arco Ascendente, no qual a forma se vai subtilizando e o objectivo principal é o acordar, a expansão e o aperfeiçoamento da Consciência dentro da forma, temos, numerados de dois modos diferentes (consoante consideremos também os reinos do arco descendente ou tão só os deste arco evolutivo):

* 4.1. O Reino Mineral;

* 5.2. O Reino Vegetal;

* 6.3. O Reino Animal;

* 7.4. O Reino Humano (57);

* 8.5. O 1º Reino Supra-Humano ou Dhyân-Chohânico, ou seja, daquelas entidades que têm inteira maestria e se tornaram poderes criadores e directores nos níveis psico-físicos, lunares, do Quaternário Inferior (58);

* 9.6. O 2º Reino Dhyân-Chohânico, ou seja, daquelas entidades que têm inteira maestria e se volveram poderes criadores e directores nos níveis solares, manásicos ou Buddhi-Manásicos (59);

* 10.7. O 3º Reino Dhyân-Chohânico, ou seja, o daquelas entidades que têm maestria e são criadores nos próprios níveis Buddhi-Átmicos
O Reino Humano e os Reinos que lhe são inferiores – todos os quais, no seu conjunto integram a Onda de Vida da nossa Cadeia Planetária – vão circulando por estes sete Globos, passando pelo ‘A’, depois pelo ‘B’, depois pelo ‘C’, etc, até chegarem ao ‘G’. Em cada um dos Globos permanecem muitos e muitos milhões de anos, o que corresponde a um número imenso de encarnações. Essa longa passagem, ou antes, permanência num Globo (em cada um dos sete Globos) é chamada Período Global ou Período Mundial. Por sua vez, um Período abrange sete raças-raiz.

Neste esquema evolutivo, em média, avança-se um Reino da Natureza por cada Cadeia Planetária.

Chakras – Os chakras, ou centros de subtis, são pontos de conexão ou enlace pelos quais flui a energia, a vida e a consciênca de um a outro veículo ou corpo do homem. Do ponto de vista da consciência, há sete principais, com correspondência no corpo físico em sete glândulas endócrinas.

Chokmah – A Sabedoria, a Inteligência Iluminadora, o Esplendor da Unidade (pois constitui a primeira diferenciação de Kether), é o grande Estimulador ou Galvanizador do Universo, o Dador da Vida. É “a esfera de energia pura… mais além de toda a forma, diferença ou distinção”20. É a ideia-semente 21. Potência masculina, activa, é o segundo Adão.

Está no topo da coluna da misericórdia, da compaixão, da sabedoria e qualidade interiores na Árvore da Vida.

Corpo Astral – O mesmo que Duplo Astral e Linga-Sharîra (ver abaixo)

Corpo Causal – Resulta do enlace das energias dos níveis Búdhico (intuicional) e Manásico (mental) do ser humano, da conjunção do 6º Princípio (Buddhi ou Alma Espiritual) e do 5º Princípio (Manas ou Mente).
O Buddhi, por si só, não poderia ser chamado de ‘Corpo Causal’, porém chega a sê-lo em união com o Manas, o Ego ou entidade que se reencarna. O seu nome deriva de recolhe dentro de si os resultados de todas as experiências, as quais, trabalhando como causas, moldam as vidas futuras.
Corpo de Desejos – O Corpo de Kâma, o Corpo Emocional. No homem comum só se trona uma forma estabilizada depois da morte do Corpo Físico.

Duplo Astral – O mesmo que Corpa Astral Astral e Linga-Sharîra (ver)
Espírito –

Fohat – Fohat é um termo mongol (também usado em certas franjas do Tibete) que designa um dos conceitos mais importantes da Cosmogénese Esotérica. Tem o seu correlato no Eros da Mitologia Grega, no Apãm-Napât (“Filho das Águas”) dos Vedas e do Ahura-Mazda, em Daiviprakriti das Escolas Filosóficas Hindus, particularmente da Samkhya, em Khepera e Toom do antigo Egipto.

“Fohat é uma coisa no Universo ainda não-manifestado e outra coisa no mundo fenomenal e cósmico”, escreveu Helena Blavatsky.

No Imanifestado, ou seja, antes da formação de Cosmos objectivos, Fohat é latente e coeterno com Parabrahman e Mûlaprakriti. Parabrahman (Para: “além de”; Brahman: “Ser-Todo Cósmico”) é a Consciência Absoluta (ou a Inconsciência Absoluta de qualquer coisa em particular). Mûlaprakriti (Mûla: “raiz”; Prakriti: “natureza, substância”) é a raiz pré-cósmica da substância universal, a natureza caótica antes da organização do Cosmos. Movimento Absoluto, Força Absoluta de União (entre) Consciência e Substância, Fohat mantém absolutamente unidos Parabrahman e o seu véu Mûlaprakriti. Movimento Absoluto no (Não-)Ser Absoluto, une sem unir (pois nada existe separado), tal como se move sem se mover. Mas, sendo Fohat o “incessante poder destruidor e formador” , que simultaneamente une e separa, liga ou des-liga; sendo Fohat o desejo criador (que no domínio cósmico é Kâma-Eros) que impele para a manifestação, do seio do Todo Ilimitado (em si mesmo, Imanifestado), ciclicamente ele aparta os protótipos do Pai e da Mãe, do Pensamento e da Matéria, da Subjectividade e da Objectividade (Intra)Cósmicas, Parabrahman e Mûlaprakriti – que, como tais, são (simultaneamente) Pai-Mãe, Pensamento-resultado do Pensamento, Sujeito-Objecto.

Então Fohat torna-se o Raio Divino de inesgotável potência criadora que incute o Pensamento Divino Absoluto (Parabrahman) no seio da proto-Mãe (Mûlaprakriti). Ele volve-se de Filho em Esposo (o que encontramos nas mais diversas Mitologias…). O processo que dará lugar à construção do Cosmos, iniciou-se, com o despertar do até então latente Primeiro Logos. “A princípio, dormindo no seio de Mulaprakriti é então seu Filho. Assim que desperta, torna-se seu Esposo e o ‘Pai-Oculto’, jorrando a energia universal chamada Shekinah na Cabala e Daiviprakriti no Bhagavad Gita”. O Primeiro Logos serve somente como um centro transmissor de força, a Luz do Logos, cuja fonte é Parabrahman. E este último “tendo aparecido por um lado como o Ego [sujeito activo consciente] e por outro como Mulaprakriti, actua como a energia una através do Logos”. Esta energia, a Luz do Logos (ou Verbo de Parabrahman) é Fohat-Daiviprakriti.

Começa a estabelecer-se a dualidade Espírito-Matéria, Pai-Mãe, Purusha- Prakriti. O Segundo Logos é justamente explicado deste modo na Doutrina Secreta: “Espírito-Matéria, Vida; o ‘Espírito do Universo’; Purusha e Prakriti”.

Continuamos a citar A Doutrina Secreta de Helena P. Blavatsky, ilustrando o que escrevemos anteriormente, e abrindo caminho para o que se seguirá:
“Assim como a Ideação Pré-Cósmica é a raiz de toda a consciência individual, assim também a Substância Pré-Cósmica é o substratum da matéria nos seus diversos graus de manifestação.

Daí resulta que o contraste desses dois aspectos do Absoluto é essencial para a existência do Universo manifestado. Isolada da Substância Cósmica, a Ideação Cósmica não poderia manifestar-se como consciência individual; pois só por meio de um veículo (upâdhi) de matéria é que a consciência emerge como ‘Eu sou Eu’, sendo necessária uma base física para concentrar um Raio da Mente Universal a certo grau de complexidade. E por sua vez, separada da Ideação Cósmica, a Substância Cósmica não passaria de uma abstracção vazia, e nenhuma manifestação de consciência poderia surgir.

O Universo Manifestado acha-se, portanto, informado pela dualidade, que vem a ser a essência mesma da sua Ex-istência como manifestação. Mas, assim como os pólos opostos de Sujeito e Objecto, de Espírito e Matéria, não são mais do que aspectos da Unidade Una, que é a sua síntese, assim também no Universo Manifestado existe ‘algo’ que une o Espírito à Matéria, o Sujeito ao Objecto”.

A assunção nítida da dualidade ou diferenciação entre Ideação e Substância marca a transição do Segundo Logos para o Terceiro Logos, dois momentos da manifestação cósmica. Na Proémio de A Doutrina Secreta diz-se sobre o Terceiro Logos: “A Ideação Cósmica; Mahat ou Inteligência, a Alma Universal do Mundo; O Númeno Cósmico da Matéria, a base das operações inteligentes da Natureza”. Isto é: temos, por um lado, o Desenho, a Arquitectura do Universo (a Ideação Cósmica) e, por outro lado, a substância onde a obra, de acordo com as Ideias contidas na Mente Cósmica, se vai objectivar – sendo essa substância, pois, “a base das operações inteligentes da Natureza”. Numenicamente (como causa ideal), a substância é mental, conforme o postulado hermético: “O Universo é Mental”.

Existindo essa dualidade, é necessário, de facto, o tal “algo” que une a Ideação à Substância, o Espírito à Matéria, o Sujeito ao Objecto, da mesma forma como é necessário o dinamismo que permita a ligação entre a Ideia de um escultor e a pedra onde a obra se vai executar – sendo por via desse dinamismo que a substância é trabalhada e moldada. Esse “algo”, diz A Doutrina Secreta, é chamado Fohat pelos ocultistas. É a “ponte” através da qual as ideias existentes no Pensamento Divino são imprimidas na Substância Cósmica, como Leis da Natureza. Assim, pois, Fohat é “a energia dinâmica da Ideação Cósmica, ou, considerando de outro ponto de vista, é o meio inteligente, a potência directora de toda a manifestação, o Pensamento divino transmitido e manifestado através dos Dhyâni Chohans, os Arquitectos do mundo visível (…). É o elo misterioso que une o Espírito à Matéria, o princípio animador que electriza cada átomo para lhe dar vida”.

Sendo o Terceiro Logos identificado com a Mente Cósmica (Mahat ou Maha-Buddhi) cabe explicitar que a substância ontológica da Mente Divina são todas as Inteligências Divinas Espirituais. A Mente Divina são essas Inteligências Espirituais ou Deuses (incluindo as Mónadas Humanas), e não a Mente de um Ser (um Deus…) em particular. Do mesmo modo, o Logos ou Demiurgo não é um Ser Individual, excepto se tomado na acepção de o mais elevado Hierarca de um Sistema ou Cosmo, i.e., o vértice superior de uma Hierarquia, de uma Legião, de um vasto conjunto de Inteligências Criadoras ou Deuses; mais rigorosamente, expressa uma colectividade abstracta de Construtores, de Dhyâni Chohans, de Hierarquias Septenárias de Poderes Criadores.

Deste modo, Fohat é o dinamismo da Mente Divina e, sendo a substância desta o conjunto das Inteligências Espirituais, ou Centelhas Divinas ou Dhyâni-Chohans, é através destes – e mobilizando estes – que Fohat faz imprimir o desenho divino, os arquétipos divinos na substância Universal. Fohat é, pois, “o Construtor dos Construtores”.

Fohat, vivificando e combinando os átomos, em agregados ou formas cada vez mais complexas, conduz ao desdobramento dos Planos e Sub-Planos da Substância Universal que, desde a Âdi-Prakriti ou Substância Cósmica Primordial, por degraus sucessivos de densificação ou materialização, vai chegar até à pesada e comparativamente lenta matéria física. Como elucida e, novamente, Helena Blavatsky: “Fohat, correndo ao longo dos sete princípios do Âkâsha, actua sobre a substância manifestada, ou o Elemento Único e, diferenciando-se em vários centros de energia, põe em movimento a lei de Evolução Cósmica, que, em obediência à Ideação da Mente Universal, produz todos os diversos estados do Ser, no Sistema Solar manifestado”.

Fohat não é apenas o poder electro-vital construtor de grandes Cosmos, onde imprime o Pensamento Divino (da colectividade de Inteligências Divinas Espirituais). Na verdade, afirma o Ensinamento Ocultista que existem tantos Fohats quantos são os mundos, e cada um deles varia em poder e em grau de manifestação. Os Fohats individuais perfazem um Fohat universal e colectivo – o aspecto-entidade da Não-Entidade una e absoluta, que é a Asseidade absoluta, Sat. Há Fohat em cada Ser individual, nomeadamente num ser humano. Neste, temos Fohat a unir o “Espírito puro, o Raio inseparável do Absoluto, com a Alma, constituindo ambos a Mónada humana” 22, tal como, na Natureza, Fohat é o primeiro elo entre o Incondicionado e o manifestado – ou antes, é o próprio detonador da Manifestação. É Fohat que, na substância akáshica, delimita o Ovo Áureo 23 de cada Ser Humano. É, ainda, de energia fohática que é constituído o Sutrâtman, o fio da Vida que percorre os diferentes níveis de manifestação humana. É fohática toda a energia eléctrica e nervosa que decorre do nosso desejo motivador da acção. O Ocultismo correlaciona, no Universo manifestado, Fohat com o 4º Princípio, Kâma, o Desejo, a Alma Animal.

Kama – Kâma é uma palavra sânscrita que significa “Desejo”.

Kama-Manas -É força do desejo egotista (Kâma) e a energia mental (Manas) por aquele mobilizada e envolvida. É a mente inferior, a mente separatista, o psiquismo comum. Um raio de Manas radia do Eu Superior e. unindo-se ao Desejo que o atrai, constitui a base de cada nova personalidade encarnativa. O Kâma-Manas é condicionalmente (i)mortal, visto que dele perduram os pensamentos e emoções mais nobres.
Buddhi, sob a influência de Âtman (Âtma-Buddhi, pois) é a Alma Espiritual; Manas, sob a direcção de Buddhi (assim, Buddhi-Manas) é a Alma Humana; e Kâma (ou Kâma-Manas) é a Alma Animal.

Kether – A primeira Sephira da árvores da Vida, encimando a Coluna do meio, da Suavidade ou do Equilíbrio.
Na Cabala, toma-se como estágio de partida – o ponto no círculo imaculadamente branco – Kether, o centro sintético, o gérmen da expansão, o primeiro impulso do Cosmos (de um Cosmos…). Sobre ele, contudo, pendem os chamados “Três Véus da Existência Negativa”, correspondentes a três Planos de Imanifestação (havendo quatro Planos de Manifestação). São eles Ain, Nada ou Negatividade; Ain Soph, a Ilimitação; e Ain Soph Aur, a Luz Ilimitada. Este último, é já o nível de onde desperta a manifestação, a exteriorização, isto é, onde se concentra e de onde desperta e exsurge Kether. Parabhaman, Mûlaprakriti e Daivipkrati podem ser tomados como os seus equivalentes respectivos, em formulações mais orientais.

A Coroa, Kether é, pois, a primeira Sephirah. É a Existência das Existências, o Ancião dos Dias, o Um manifesto, o Ponto Primordial, a origem do Poder, o Primeiro Motor e o Primeiro Adão, o Homem Celestial. É a Luz Interna. Como Coroa, suscita naturalmente a alusão ao Sahamsara, o chakra coronal, o Lótus das Mil Pétalas (das concepções hindus). Também como Coroa – que é aberta – ou (noutro dos seus títulos), a Cabeça que não Existe 17, é um nível-momento de passagem (como o Primeiro Logos) desde o Sempre Oculto, Transcendente e Incognoscível para a existência fenomenal, um canal por onde flui a brilhante Energia-Substância-Consciência primordial (Daiviprakriti, como se designa no Bhagavad Gîtâ).

Linga-Sharîra – Etimologicamente, em sânscrito, o corpo da força criadora (ou geradora). É, no ser humano, não só a matriz (ou o molde) a partir do qual é decalcado, precipitado, gerado ou formado o corpo físico denso, como também lhe serve de canal para que a este aflua a Vitalidade – Prâna – dos mundos suprafísicos (sem Prâna, o Corpo Físico desintegrar-se-ia e nunca seria capaz de qualquer movimento, por estar destituído de alento ou força vital). Em termos macrocósmicos, a correspondência do Linga-Sharîra é o Mundo Astral e a Luz Astral, respectivamente, o Plano e a Energia inferiores no Universo, com excepção da materialidade física.

Manas – Mente. O 3º princípio mais elevado no Ser humano septenário (o 5º, contando de baixo para cima). Sob a influência de Buddhi é a Mente Superior; dominado Por Kama, volve-se Kama-Manas, o psiquismo inferior.

Mulaprakriti – Substância Pré-Cósmica. Raiz (Mûla) da Substância/ Natureza/Matéria (Prakriti). É o véu do Absolutamente Imanifestado e Inefável Parabrahman. No Glossário Teosófico, escreveu Helena Blavatsky sobre Mûlaprakriti: “Literalmente, ‘Raiz da Natureza (prakriti) ou da Matéria’. A raiz parabrâhmanica, o princípio abstracto deífico feminino: a substância indiferenciada”. A proto-Mãe, o aspecto do Absoluto que serve de substratum a todos os planos objectivos da natureza. É chamada Aditi nos Vedas, e Terra de Adão, pelos alquimistas ocidentais; corresponde a Shekinah, o véu de Ain Soph, na Cabala., e a Avyakta, na filosofia Samkhya.

Parabrahman – Uma palavra, por excelência, que procura designar aquilo que, em última instância, não pode ser expressado, mas que corresponde à necessidade atrás referida, é Parabrahman.

Acerca de Parabrahman (ou Parabrahm, como também se grafa), esclarece Helena Blavatsky, em algumas das suas obras:

“Literalmente, significa ‘superior a Brahmâ. É o supremo e infinito Brahma, o ‘Absoluto’, a Realidade sem atributos e sem segundo; supremo universal, impessoal e inominado. É o Princípio eterno, omnipresente, infinito, imutável, inconcebível e inefável. É o Único Todo Absoluto, a Única Realidade Absoluta, Aquele, o supremo e eternamente não manifestado, que antecede a todo o manifestado. É a Causa incausada do Universo, Raiz sem raiz de ‘tudo o que foi, é e será’. Tal Realidade Una é, naturalmente, desprovida de todo e qualquer atributo, e permanece essencialmente sem relação nenhuma com o Ser manifestado e finito. Parabrahman não é ‘Deus’ pela razão de que não é um Deus. Como diz o Mândûkya Upanishad, é Aquele ‘que é supremo e não supremo (parâvara)’: é supremo como causa e não supremo como efeito. É o Espaço infinito, no mais elevado sentido espiritual. Para os nossos sentidos e para a percepção dos seres finitos, é Não-Ser, no sentido de que é a única Seidade (Beness); porque neste Todo se encontra oculta a sua coetânea emanação ou radiação inerente, que, convertendo-se periodicamente em Brahmâ (a Potência masculino-feminina), desdobra-se (transformando-se) no Universo manifestado. O Espírito (ou Consciência) e a Matéria são os dois símbolos ou aspectos de Parabrahm, o Absoluto, que constituem a base do Ser condicionado, seja subjectivo ou objectivo”.

O entendimento de que se tenta aludir o inefável e indizível está suposto na etimologia da palavra em causa (Parabrahman). Com efeito, não se define ou restringe de modo algum Isso ou Aquilo mesmo que está além (Para) de Brahman. É “apenas” Aquilo ou Isso (e não Isto) que é diferente e que está mais além de Brahman, sem que nenhum atributo lhe seja referido, porque dele carece (o Absoluto não pode ter atributos, pois os atributos, circunscrevendo, delimitando, são do domínio do relativo). Toma-se o Brahman – o Todo manifestado – como aquilo que é cognoscível; e o Para, como Algo de ainda além, é colocado como simples negação. Qualquer pergunta ou afirmação sobre a sua natureza, recebe a clássica resposta neti, neti – não é isso, não é isso.

Planos de Substância – a Ciência Oculta contempla sete diferentes Planos de Substância ou Estados de Ser, desde o mais espiritual ou subtil, até ao mais denso ou material.

Não existe apenas Substância ou Matéria Física. Existe, também, substância ou matéria psicológica, nomeadamente a mental (chitta, assim é chamada), e a de natureza ainda mais ténue. Para os grandes filósofos da velha Índia (como para a Sabedoria Oculta), existem vários graus ou planos de Substância (Prakriti ou Pradhana, expressões que na Escola Samkhya são quase sinónimos, embora se costume usar o termo Pradhana para designar a Substância homogénea, ainda indiferenciada, i.e., o estado imediatamente consecutivo a Mûlaprakriti), sendo, a mais densa ou material, a do mundo físico.

Os “Planos objectivos da Natureza”, ou seja, os grandes desdobramentos, as grandes diferenciações da Substância-Raiz, são sete, e apresentamos em seguida algumas das suas designações possíveis, começando do Mundo mais subtil, mais espiritualizado, para os Planos de sucessiva complexidade, peso, ou densidade:

Brahman / Pradhana / Âdi-Prakriti
Alaya / Mahâ-Buddhi / Anima Mundi / Svabhâvata
Mental Cósmico / Mahat / Purusha-Prakriti manifestados e diferenciados
Kâma / Desejo Cósmico / Fohat
Jîva Cósmico / Vitalidade / Fonte Elemental
Plano Astral / Luz Astral / Plano Modelar 21
Plano Físico / Plano Terminal de todos os anteriores

Prana – Força Vital, Alento, Vitalidade. O Sopro de vida, o mesmo que Nephesh (da Cabala e da Bíblia). O Prana aflui ao Corpo Físico através do Corpo Astral ou Corpo Modelo ou Linga-Sharîra.

Prakriti – Substância, Natureza, Matéria. Aquilo de que as coisas são feitas, criadas. Aquilo que tem atributos femininos, receptivos.

Princípios de Consciência – As principais da Consciência Una no ser Humano.

O Homem é um ser que existe, tem veiculos e tem consciência – meramente potencial ou já despertada – em diversos Planos, reproduzindo em si a constituição septenária do Universo. Se repararmos bem, distinguir nele:
1. O corpo físico que todos conhecem;
2. O molde e as causas dirigentes da geração e formação desse corpo físico, bem como a vitalidade que o anima e mantém coeso;
3. Os desejos, emoções, afectos e sentimentos pessoais;
4. Os pensamentos e a capacidade analítica a partir dos dados observados e das coisas sentidas;
5. Uma inteligência criadora, que funciona em termos abarcantes, e sem ser comandada, de fora para dentro, pelos fenómenos e pelas reacções que estes suscitam, antes se lhes sobrepondo, num domínio de liberdade (por essa razão se diferenciando do tipo de pensamento imediatamente antes considerado);
6. Capacidade intuitiva, i.e., de uma sabedoria íntima, real e essencial, adveniente do contacto directo com o âmago dos seres e das situações, o que só pode ser concomitante de um Amor inegoísta, forte, lúcido, e que não se confina à própria pessoa e ao que lhe está próximo (distingue-se, assim, dos afectos atrás referidos);
7. Uma latente Vontade incondicionada de Bem, que se pode manifestar somente quando nenhuma mácula de egoísmo ou separatividade existe, porquanto é uníssona com o grande Plano Divino, com o extraordinário Propósito Inteligente que subjaz a todo o Universo.
E, antes e depois de tudo, É (e, Sendo, pode expressar-se sob todas as formas que vimos enumerando).

Purusha – Espírito; centro de consciência. que tem atributos positivos (sinal +). Pólo oposto/complementar de Prakriti.

Shiva – O Regenerador. Aquele que destrói para construir algo novo. O Renovador.

Vishnu – O que tudo penetra. O sustentador, conservador, mantenedor do Universo. A coesão.

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