Biosofia nº 7

3.50

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Era Uma Vez

UM CONTO SOBRE O KARMA

Era uma vez um senhor que se queixava constantemente da má sorte da sua vida.
Estava sempre a dizer: “Ai que cruz tão pesada que Deus me deu!”.

Um dia, quando mais uma vez repetia essas palavras, embora num tom mais doce e conformado, apareceu-lhe um Anjo, que disse: “Olha, ouvimos as tuas queixas e vou levar-te a um grande armazém no Céu onde estão guardadas muitas cruzes, para as pessoas carregarem nas suas vidas. Podes escolher à vontade aquela que gostares mais, a que te parecer menos pesada”.

E assim foi. O bom do homem experimentava todas as cruzes e cada qual lhe parecia mais pesada. Nenhuma lhe agradava. Depois de muito procurar, entre milhares de milhares, encontrou finalmente uma a seu gosto. Era a mais leve de todas. Adequava-se-lhe maravilhosamente. Por isso, chamou o Anjo e disse-lhe: “É esta a cruz que eu quero para mim. É a mais leve e bonita de todas. Posso ficar com ela?”. O Anjo sorriu e respondeu: “Podes, sim. Ela sempre foi tua. Repara bem, era aquela que transportavas e de que tanto te queixavas.”

Tradicional

Neste belíssimo conto popular, encontramos imagens e alegorias (como a Cruz ou o Anjo) de grande significado. Referem-se ao Karma ou Lei de Causa-Efeito (“Tudo o que semeardes, colhereis”, lê-se na Bíblia, em Gálatas, 6:7). Todos temos uma cruz para carregar, mesmo antes de nascermos em cada vida, justamente porque tivemos vidas anteriores em que fomos gerando Karma. No entanto, o Karma, mesmo quando negativo, não representa uma cega ou vingativa punição. É ajustado de acordo com as Leis Divinas, e é sempre o que melhor nos serve para aprendermos, para corrigirmos os nossos erros ou imperfeições, e para nos melhorarmos, isto é, evoluirmos, mental e emocionalmente. E a ninguém – ninguém mesmo – em nenhuma vida – é dada uma Cruz mais pesada do que a que pode suportar, aferida pela justa e perfeitíssima medida do (seu) karma.

José Manuel Anacleto