Biosofia nº 48

5.00

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Editorial

A POLUIÇÃO MENTAL

A preocupação ecológica, com as já evidentes alterações climáticas, com a falta de água, com a devastação massiva de ecossistemas e de espécies, está na ordem do dia, e ainda bem. Por demasiado tempo ignorámos essas questões, por demasiado tempo estivemos alheios, por demasiado tempo fomos cúmplices – não, não nos enganemos atribuindo as culpas somente a uma pequena minoria.

Essa é a visão comodista que pensa na “necessidade de mudança”… mas dos outros, sem antever ou incluir a nossa própria. E é também uma visão simplista.

Outra visão simplista é a que reduz tudo a um problema de excessos que, com uns controlos aqui, umas restrições acolá, supostamente se poderá resolver, ficando tudo bem. Não pensamos assim.

Na emergência, é claro que medidas restritivas e até o recurso à ciência e à tecnologia para reverter, em alguma medida, os danos, são necessários e bem-vindos. Claro que sim. No entanto, a nosso ver, o problema está na “qualidade” das nossas expressões de Consciência. É um problema de consciências, antes que de normas jurídicas ou medidas externas.

Há poluição física, porque (antes de tudo) as nossas mentes estão poluídas. Há devastações e convulsões climáticas, porque o nosso psiquismo é isso mesmo – violento, convulsivo, devastador, sempre em guerra, por mais que nos manifestemos pela paz. Há falta, ou por vezes excesso (inundações…), de água, porque o nosso emocional, a nossa natureza lunar (de que a água é símbolo universal) está alterada, excessiva em algumas coisas, ressequida em outras.

Depois de passar a moda (e as questões ambientais e climáticas estão na moda…felizmente), os problemas de fundo são os que subsistem, e se debelarmos alguns efeitos, as causas ir-se-ão manifestar de novas maneiras. E continuará a haver poluição, mau ambiente, mau clima, devastações – que serão tanto mais graves quanto menos visíveis e mais subtis eles forem.

Vamos (também) despoluir a atmosfera psíquica das descargas nocivas dos nossos pensamentos e emoções odiosos e separatistas?

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural