Biosofia nº 45

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Editorial

Samsāra

As televisões debitam desgraças, e sucedem-se reacções, formais e demagógicas. Reacções, sempre reacções, apenas o som da roda do Karma a girar. Engolfados na onda kármica, reage-se, apenas. E a roda dos condicionalismos e dependências continua a girar…

Para resolver a sério os problemas acumulados do nosso mundo – que ingenua ou levianamente julgámos transformar num paraíso material – é preciso bem mais que reagir. Em muitos aspectos, aliás, o que é mesmo necessário é não reagir. Com efeito, enquanto reagimos, são os referidos condicionalismos e dependências que nos conduzem e mantêm enleados. Quando (somente) reagimos, é aquilo a que reagimos que é dominante e determinante.

O que necessitamos, sim, é de agir – mas, note-se, de agir pura e livremente, com abertura e amplitude mental. O que precisamos é de aprender a ver e decidir acima do nível dos condicionamentos e circunstâncias, e das apreciações simplistas. O que se requer é sabedoria e compaixão: “sagazes como as serpentes, simples como as pombas” (Mt, 10: 16).

Toda a gama de dependências a que (salvo raríssimas excepções) governantes e comentadores reagem, são a cenoura à frente dos asnos que nos obstinamos a seguir. É assim que somos levados sempre de crise em crise, de guerra em guerra, de miséria em miséria. Samsāra…

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural