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Biosofia nº 33

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Categoria:

Editorial

 

Animais

 

O que se tem descoberto acerca dos animais, e aquilo que alguns destes têm podido revelar, não cessa de nos assombrar.

Está ao alcance de qualquer um de nós tomar conhecimento dessas realidades. Basta ver alguns programas televisivos ou mesmo alguns filmes no You Tube. Podemos ver e ouvir de tudo: chimpanzés a interpretar, a valorizar e a correlacionar símbolos; cães a vocalizar palavras humanas, a andar de skate e a dar a volta no fim da rua, a dançar artisticamente, não só com técnica mas com ritmo próprio, e interagindo com parceiros humanos; catatuas a entregar-se com sentimento e entusiasmo a uma música, marcando o compasso com os movimentos certos, do corpo e da cabeça; golfinhos, papagaios, e outros, a fazerem contas não só de somar, mas de multiplicar (!), o que evidencia, em alguma medida, um domínio do cálculo espacial; hipopótamos a salvar uma presa (de outra espécie!) da boca de um crocodilo, e carinhosamente a tentar reanimá-la; elefantes a pintar e a desenhar… sim, a desenhar, e como muitos humanos não o sabem fazer – com traço seguro (não casual, ou titubeante), uma capacidade de representação incrível, com noções óbvias de perspectiva e de movimento…

Nestes e em muitos outros exemplos, as aptidões, a sensibilidade, a criatividade,  a inteligência, o improviso demonstrado por animais são verdadeiramente surpreendentes, e mais surpreendentes ainda, porque a sua expressão e desenvolvimento sempre foram ignorados, sufocados, atrofiados pela conduta humana. Torna-se hoje visível que muitos animais, se tiverem espaço/condições psicológicas e materiais, revelam um potencial imenso, demonstram verdadeira inteligência, sentimentos refinados e complexos, e impressionante sentido estético.

Pensamos que se tivermos a coragem de olhar estes animais com outros olhos – como nossos pares neste planeta que é de todos – e lhes proporcionarmos as devidas condições e oportunidades, no curso de poucas gerações eles poderão comungar connosco de muitas coisas belas e verdadeiramente nobres.

Para tanto, é preciso não continuar a ignorar a realidade, é preciso não continuar a maltratar, devorar e privar de direitos estes nossos companheiros de vida.

Onde está a nossa superioridade? Se ela existe, tem que se manifestar em génio, em espiritualidade, em compaixão, em fraternidade universal. Caso contrário, é apenas uma pretensão oca, que descamba em prepotência e crueldade, incluindo a que nós mesmos inflingimos com esta civilização (?) infernal.

 

José Manuel Anacleto

Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

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